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Práticas exitosas no ensino e pesquisa da Medicina UNIFSA reúne experiências extensionistas que aproximam a formação médica da comunidade

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A formação de um médico ultrapassa o domínio dos conhecimentos biomédicos. Antes mesmo do contato com os cenários clínicos tradicionais, compreender diferentes realidades sociais, reconhecer vulnerabilidades e desenvolver competências humanas constitui parte fundamental da preparação para o cuidado em saúde. Essa perspectiva orienta Práticas exitosas no ensino e pesquisa da Medicina UNIFSA, obra organizada por Alisson Dias Gomes, Izabel Herika Gomes Matias Cronemberger, Edjôfre Coelho de Oliveira, Antonieta Lira e Silva e Indira Maria de Melo Lira Pereira da Silva.

Com lançamento marcado para 25 de agosto, às 15h, no auditório do Anexo II do UNIFSA, Práticas exitosas no ensino e pesquisa da Medicina UNIFSA oferece à comunidade acadêmica a oportunidade de conhecer experiências que articulam formação científica, extensão e contato com diferentes realidades sociais. A obra foi publicada digitalmente pela Editora Lestu, sendo distribuída em diversas plataformas acadêmicas para acesso universal ao seu conteúdo, contribuindo para dar visibilidade às práticas de ensino e pesquisa desenvolvidas no curso de Medicina da instituição.

O livro reúne 13 relatos de experiência produzidos por estudantes do primeiro período de Medicina a partir de atividades extensionistas desenvolvidas em diferentes comunidades de Teresina. Cada capítulo recebeu um DOI individual, recurso que amplia a identificação, a rastreabilidade e as possibilidades de citação dos trabalhos no ambiente acadêmico.

Mais do que registrar ações de extensão, a coletânea documenta uma proposta pedagógica que aproxima os estudantes das realidades sociais desde o início da graduação e materializa a articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Para a Profa. Dra. Izabel Hérika Gomes Mathias Cronemberger, organizadora da obra, Práticas exitosas no ensino e pesquisa da Medicina UNIFSA revela uma concepção de formação médica que ultrapassa os limites da sala de aula e coloca o estudante, desde os primeiros momentos da graduação, diante das realidades concretas da comunidade. “Essa aproximação é especialmente relevante porque permite compreender que cuidar da saúde exige mais do que domínio técnico: requer capacidade de escuta, sensibilidade diante das diferentes condições de vida e compreensão das dimensões sociais, emocionais e culturais que atravessam o processo saúde-doença”, argumenta.

Formação médica começa pelo contato com pessoas e territórios

O livro parte do entendimento de que a aprendizagem médica também se constrói pela experiência concreta com pessoas, famílias, instituições e territórios. Conforme destacam os organizadores no prefácio, estudantes de graduação foram desafiados a desenvolver propostas de intervenção junto às comunidades, aproximando conhecimento científico e realidade social.

Nesse sentido, as atividades não se limitaram à execução de ações extensionistas. A proposta buscou criar situações de aprendizagem capazes de estimular sensibilidade social, pensamento crítico, compromisso ético e responsabilidade diante das necessidades identificadas nos territórios.

Para o Prof. Dr. Alisson Dias Gomes, organizador da obra, os 13 projetos reunidos demonstram como a extensão universitária pode constituir um espaço efetivo de aprendizagem. “Ao desenvolver ações com crianças, adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, famílias e diferentes organizações comunitárias, os estudantes são estimulados a observar necessidades reais, dialogar com os públicos envolvidos e construir respostas de maneira coletiva”, disse.

Inspirada nas concepções de Paulo Freire, Philippe Perrenoud e Antônio Carlos Gil, a proposta compreende as competências profissionais como construções desenvolvidas por meio da experiência, da reflexão crítica e da interação com problemas concretos. Assim, a extensão deixa de ocupar uma posição periférica no percurso acadêmico e passa a integrar a própria formação médica. “Nesse processo, competências como comunicação, empatia, trabalho em equipe, pensamento crítico e responsabilidade ética deixam de ser conceitos abstratos e passam a ser exercitadas em situações concretas”, explica o organizador.

Treze projetos aproximam estudantes de diferentes comunidades

Os capítulos apresentam intervenções desenvolvidas em escolas, organizações sociais, instituições de acolhimento, organizações não governamentais, grupos de pessoas idosas, famílias de pessoas com deficiência e outros espaços comunitários. Embora executados por equipes distintas, os projetos convergem para um eixo comum: a promoção da saúde emocional associada à qualidade de vida, ao autocuidado e à cidadania.

As experiências contemplam públicos e contextos diversos e recorrem a metodologias ativas, educação popular, práticas lúdicas, rodas de conversa, oficinas educativas e outras estratégias de promoção da saúde. Dessa forma, os estudantes foram mobilizados não apenas a planejar e executar intervenções, mas também a avaliar os resultados e sistematizar cientificamente as experiências realizadas.

Erdenyse Scott Maia, acadêmica de Medicina e uma das autoras de capítulos, destaca a importância das metodologias adotadas para a concretização da proposta. “A utilização de rodas de conversa, oficinas, práticas lúdicas, educação popular e outras metodologias ativas serviu para entendemos que a educação em saúde pode ser construída a partir do diálogo e da participação, reconhecendo a comunidade não apenas como destinatária das ações, mas como parte fundamental do processo. Foi um processo muito rico. Aprendemos muito!”, comemora.

Entre os temas abordados estão infância, adolescência, envelhecimento, pessoas com deficiência, autocuidado, inteligência emocional, vínculos comunitários e promoção da saúde. A diversidade dos projetos evidencia, portanto, a multiplicidade dos cenários que podem integrar a formação médica para além dos ambientes tradicionalmente associados ao exercício da profissão.

Ensino, pesquisa e extensão convergem em uma mesma experiência

Um dos aspectos centrais da experiência registrada no livro é a articulação entre quatro componentes curriculares do primeiro período: Comunidades I; Inteligência Emocional; Método Científico e Medicina Baseada em Evidências I; e Projeto de Extensão, Pesquisa e Ensino I.

A integração permitiu aos estudantes percorrer diferentes etapas de um projeto acadêmico, desde a identificação das necessidades sociais e a construção da fundamentação teórica até o planejamento metodológico, a execução das ações e a produção dos relatos científicos posteriormente transformados em capítulos.

Desse modo, a experiência aproxima precocemente os graduandos dos procedimentos próprios da pesquisa e da comunicação científica. Ao mesmo tempo, articula competências técnicas, científicas e humanísticas, favorecendo uma compreensão biopsicossocial do cuidado.

Para Kauan Veiga dos Santos Silva, acadêmico de Medicina, a oportunidade de escrever um dos capítulos ao lado dos colegas representou um aprendizado que superou suas expectativas para o primeiro período da graduação. “Foi uma oportunidade de olhar para a própria trajetória de aprendizagem e perceber como o contato com a comunidade pode transformar a maneira de compreender a Medicina, seus desafios e, principalmente, as pessoas que estarão no centro do futuro exercício profissional. Valeu demais a experiência!”.

Livro registra uma proposta formativa e amplia a circulação do conhecimento

Além do valor científico dos relatos, Práticas exitosas no ensino e pesquisa da Medicina UNIFSA constitui um registro institucional da proposta formativa desenvolvida no curso de Medicina. A sistematização das experiências permite documentar como atividades extensionistas planejadas de maneira interdisciplinar podem produzir resultados simultâneos para a formação discente e para as comunidades participantes.

“A publicação, em si, demonstra como atividades extensionistas, quando planejadas de forma interdisciplinar e articuladas à pesquisa e ao ensino, podem produzir impactos simultâneos na comunidade e na formação dos estudantes”, disse a coordenadora de extensão do UNIFSA, Profa. Ma. Roberta Mara.

Segundo a coordenadora, os capítulos revelam não apenas as intervenções realizadas nos diferentes contextos sociais, mas também o desenvolvimento de competências necessárias ao exercício profissional, entre elas escuta qualificada, empatia, trabalho em equipe, comunicação, pensamento crítico e compromisso ético.

Ao transformar as experiências extensionistas em produção científica com ISBN, DOI e acesso digital, o Núcleo de Publicações Acadêmicas amplia as possibilidades de circulação do conhecimento produzido ainda nos primeiros períodos da graduação. A publicação também fortalece o registro da memória acadêmica e a cultura de divulgação científica institucional.

Acesse a obra completa
https://lestu.org/books/index.php/lestu/catalog/book/35